Terça-feira, Março 02, 2010

Com Né Que Tamo #1 - Por Que Não Transe Tamos?

Outro dia numa conversa ao estilo da que deu origem ao nome do blog (numa mesa de bar) fui pego mais uma vez com o argumento do senso-comum de que o problema do trânsito de Salvador é que não comporta mais o número de carros (João Henrique mandou lembranças). Fico inquieto com tais conclusões super elaboradas da problemática cotidiana que enfrentamos. Danilo Gentilli já fazia suas reflexões hilárias sobre problema semelhante, embora mais intenso, que assola a cidade de São Paulo no seu trabalho de Stand Up Comedy.

Com certeza a sensação de que um dia iremos ficar parados e não conseguiremos chegar ao destino já passou por algum de vocês (talvez cotidianamente a ponto de se tornar insuportável) e, nesse momento é que a gente se pergunta: o que fazer pra resolver esse problema? Para o Prefeito tem carro demais, ou seja, a responsabilidade não passa por ele no que lhe compete de acordo com a Constituição Federal (organizar o trânsito do município), donde conclui-se que ele é incompetente. Seguramente soluções simples e inteligentes de trânsito poderiam melhorar muito o fluxo (como sinais menos burros, mais placas, etc.) mas não seriam suficientes para acabar com o problema, pois ele é multi-fatorial. No entanto, se abster da responsabilidade é o pior que cada cidadão pode fazer, sobretudo o Prefeito da cidade que é, em tese, representante de uma maioria que, simplesmente, quer passar né!? Seja de ônibus ou de carro... debater o sistema de transporte público em Salvador é não menos importante do que a questão aqui levantada, pois lamentavelmente o transporte público de Salvador é tão ruim que estimula o consumo de carros e motos (moto para morto só “R” separa, quem duvida visite qualquer hospital público da capital ou interior e veja quantas vagas estão sendo ocupadas em UTIs por aidentes envolvendo motos).

Para além da discussão filosófica sobre que meio de transporte queremos para o futuro (que polua ou não, que faça bem para a saúde ou não e etc.) temos que pensar na estrutura que temos hoje, qual seja: muito menos carros do que as pistas suportam. Ãn !? Isso mesmo, temos muito menos carros do que as pistas suportam. Como assim? Simples: tem quem goste de tomar banho com um jato forte de água mas... nem sempre o chuveiro permite. Nem por isso se deixa de tomar banho, aprende-se a viver com o que tem e o que acontece, inevitavelmente, é que é necessário passar mais tempo deixando a água remover o sabão. Porém o chuveiro é “variável”, quem puder e quiser pode aumentar a vazão de água com alguns ajustes e, assim, atender ao interesse de mais água em menos tempo. No trânsito infelizmente nem todas as pistas são variáveis e, quando podemos aumentar a largura temos um custo alto e muitos transtornos durante o processo, então, podemos forçosamente dizer que a “vazão” das pistas é fixa. Por outro lado “carro” é um "recurso" crescente cuja produção não sofre controles/restrições devido a uma gama de fatores/interesses de classe e econômicos totalmente desconectados de qualquer planejamento de crescimento; gerando um "desenvolvimento inconseqüente" em diversos aspectos. Assim, com as pistas inalteradas e os carros cada vez mais ocupando as mesmas, a tendência é que tudo pare mas, se isso é verdade, por que o paro geral é sempre meio-dia e de tardinha? E nos outros horários conseguimos passar ainda que devagar? Se a cidade vai parar, deveríamos ter um número absurdo de carros 24 horas por dia nas pistas, não?

Na economia existe o conceito de mercado sob concorrência perfeita, um mercado utópico onde todos os produtores conhecessem o produto e o preço de todos os concorrentes e os consumidores também, podendo assim sempre comprar o que lhe é mais custo-benéfico e, desta forma, tudo estaria equilibrado. Segundo este conceito, as falhas de mercado ocorrem quando há assimetria de informação, desconhecendo o comportamento do mercado, ou "das pistas", as pessoas agem da forma que acham que vai ser melhor para sí, sem pensar no coletivo e sem meios para isso, já que não temos informação instantânea da "vazão" de carros pelas vias possíveis para chegar a cada destino e então não podemos esconlher o que seria mais interessante para todos (distribuir o volume de automóveis de forma equilibrada por toda a pista).Imaginemos se no trânsito, antes de ir para o lugar X, soubéssemos quais lugares estão intransitáveis e quais são possíveis ou, por meio de previsões estatísticas simples (nossa experiência mesmo) soubéssemos em quais horários não devemos marcar nada nos lugares que passem por Iguatemi, Bonocô e Rio Vermelho, iríamos nos educar e equilibraríamos o trânsito, mas queremos sempre passar todos ao mesmo tempo pros mesmos lugares, aí não tem santo que guente né!?

Em São Paulo estão instalando chips nos carros, algo que poderia ser pensado para Salvador, sobretudo para saber em "tempo real" qual o fluxo em determinadas avenidas e poder assim definir qual o melhor trajeto. Outra iniciativa simples pra melhorar o uso do recurso limitado que são as pistas, é melhora a articulação intra e inter-institucional de organizações em regiões próximas para viabilizar cada vez mais a carona solidária, como sugere amplamente o presidente da Venezuela em seu programa semanal, Hugo Chávez.

Claro que mudanças nos horários de trabalho de milhões de pessoas seria utópico mas, poderíamos começar com uma variabilidade maior de horários de faculdades,como a Católica da Federação; por que a maioria das aulas da noite tem que começar e terminar no mesmo horário!? Por que os servidores do CAB querem sempre chegar no mesmo horário (10 da manhã)!? Por que os trabalhadores do comércio querem chegar ao mesmo tempo!? Um pouco de articulação e planejamento coletivo não faz mal a ninguém né? Aliás, nunca antes na história houve recursos tão eficientes para organização coletiva como hoje, apenas não nos demos conta pois estamos ocupados demais com nossos anseios individuais e nos esquecemos que sem pensar em coletivo. Não pensar no coletivo pode ser um "tiro no pé" dos anseios individuais, né mermo!? Ah como eu queria poder ir trabalhar de madrugada...

4 É Mermada:

JuANiTo disse...

Na minha visão, 2010 chegou de fato no maior nível de congestionamento dos últimos anos na nossa cidade. Só que, realmente, temos horário determinados. E o tempo de congestionamento ainda são menores se comparado a grande metrópole que é São Paulo. Algumas alternativas de baixo custo citadas seriam interessantes. Mas quanto a alternativa de rotas acho necessario investimento de infra-estrutura.

Rafa Ventura disse...

Eu chamo isso de inferninho sobre 4 rodas!

só serve pra dormir, durmo de casa pra faculdade, da faculdade pro trabalho, do trabalho pra casa.
são horas e horas de sono a fio!

Diogo disse...

O aprimoramento do transporte público e a ampliação de novos meios de transporte já ajudaria muito a nossa vida, de certa forma tiraria boa parte dos carros ,das ruas. Qual a demora desse metrô !? É pra ontem ! será que vai adiantar alguma coisa a circulação desse "trem" ...? A coletividade é um processo lento e gradativo no caminho de desenvolvimento da nossa cidade, é tudo pra ontem neste país bebê ! Rs

JuANiTo disse...

Olha o que eu achei...
http://bahiapress.com.br/wordpress/?p=940

Nosso dinheiro é capim mesmo...